Eu estou agora no meu último ano da faculdade, quase entrando no último semestre, é uma história boa, um dia desses eu conto. E a Lily está no cursinho estudando para entrar em medicina, então nenhuma de nós têm tido tempo, mas com essa pandemia rolando, alguns textos têm vindo em minha mente então eu pensei em compartilhar com vocês...
Então aqui uma crônica que eu escrevi no meio desse isolamento:
Eu nunca fui a mais sociável das garotas, eu sou carinhosa, mas nunca gostei muito de beijos e abraços, eu geralmente me expresso melhor com palavras (escritas) e presentes, mais doces no geral. Abraços demorados me deixam desconfortável, andar de braços dados com uma amiga me parecia exagerado, ainda que eu o faça para deixar as pessoas ao meu redor feliz. Minha mãe sempre amou isso tudo, de vez em quando ela deita em mim e eu me sinto o Sheldon (The Big Bang Theory) quando o abraçam, fico imóvel, respirando e pensando quando vai acabar.
Como eu disse, meu jeito de amar é mais com palavras e doces/presentes, então é o jeito como eu mais me sinto amada também. E então eu comecei esse ano, meu último ano na faculdade, um planner rosa com detalhes listrados em verde e azul pendurado na minha parede, um novo bloquinho de notas para levar na mochila junto de alguns cadernos e um livro.
2020 com seu começo de ano e uma talvez terceira guerra mundial dita no Twitter ainda parecia prometer seu um ano melhor que 2019 havia sido. As aulas começaram em fevereiro, eu vi meus amigos, abracei, entreguei os presentes, me senti um tanto triste e feliz por minha melhor amiga estar planejando ir para o Canadá estudar, depois de 16 anos juntas seria a primeira vez que iríamos realmente ficar longe uma da outra.
E março chegou com notícias preocupantes, a COVID-19 havia chegado ao Brasil e em questão de semanas estava por todo lugar, ansiedade tomando conta por não saber se iriam cancelar as aulas ou o que iria acontecer, cancelaram por uma semana, a semana passou e decidiram estender, logo aconteceriam aulas online. E todos pensamos que iria durar pouco, em um mês estaríamos todos juntos, mas tudo ficou mais grave, pessoas morrendo, frases não muito adequadas para o momento sendo ditas pelo presidente do país.
A realidade me atinge, meu último ano todo talvez fosse ser em casa e a minha última memória das aulas presenciais me atingem, uma conversa e um doce entregue para uma professora querida e uma caminhada até a estação de metrô com meu melhor amigo, um último abraço enquanto ainda se podia fazer isso.
E isso em março, agora estamos em julho quase agosto, eu deveria ter ido a um show da Taylor Swift, minha amiga deveria estar no Canadá e a outra no Japão. Eu percebo que estou morrendo de saudades e mesmo os abraços que antes me pareciam sufocantes me fazem falta, as conversas rotineiras, os mimos em dias que ambas estavam mal.
Eu noto como sinto falta de me reunir com a família nos aniversário e feriados, de ver meus primos e poder abraçar cada um deles e saber sobre a vida deles e a escola. Sinto falta de minha priminha dançando baby shark e meu primo mais novo me falando de super-heróis, quando ao meu outro primo, ele deveria estar no primeiro ano da faculdade e eu estaria feliz ouvindo ele me contar. Percebo que eu sinto falta de passar as tardes na casa da minha avó paterna e sentir ela pegar meus pés fazendo cócegas, ela me chamar de princesa da vovó e sentir seus braços ao meu redor como feito tantas vezes.
Quando falo sobre a saudade, constantemente me perguntam se faço chamadas de vídeo ou voz e eu respondo que sim, ainda que eles acrescentem logo em seguida: não é a mesma coisa, eu sei. E de fato, não é, nada substitui você sentir aquele carinho, aquele amor em forma de um toque físico, um beijo, um abraço, uma cócegas.
E o choque me atinge, eu que sou uma pessoa que não gosto tanto assim de contato físico sinto falta de meus amigos sobrecarregando e me esgotando com tanto amor para dar em forma de abraços. E temo que ainda vá demorar para que isso possa acontecer de novo.


























































