Uau faz tempo que não postamos nada... Bom, como disse ano passado eu estava correndo atrás de meus sonhos e esse ano um deles se realizou, estou finalmente fazendo minha tão sonhada faculdade de jornalismo. Conheci pessoas incríveis, professores inspiradores e percebi que é o que realmente quero fazer. No meio desse processo escrevi uma crônica para uma aula e uma amiga me disse para postar e deixar o mundo ver, decidi seguir o conselho, então sem mais delongas...
(Des)Pertencimento ao Mundo
Escrito por Isabela Bumerad
Moro em Osasco, cidade do estado de São Paulo, mas sempre vou à capital
paulista para estudar, passear ou fazer outras atividades. Em uma
dessas vezes estava dentro do trem quando entrou um homem cego, logo
cederam um lugar para que o homem se sentasse e eu voltei minha atenção
para o livro em minhas mãos até ouvir o som familiar de uma bola de
chiclete sendo estourada. Como alguém que gosta de brincar de fazer a
chamada bola de chiclé, me pus a procurar quem estava fazendo dessa vez.
Para minha surpresa era o homem cego, ele estava tão tranquilo, despreocupado e mascando chiclete. Aquilo me causou uma sensação de estranheza, de que não via o mundo da forma como ele deveria ser visto e que me apegava demais a rotina de sempre fazer a mesma coisa, no mesmo horário e me irritar se algo não acontecer da forma como queria. Em dado momento desviei o olhar, não sei dizer se as pessoas me encaravam como a menina estranha concentrada no homem cego ou o que. Sei que desviei o olhar, mas também não me recordo o que aconteceu depois.
Apenas lembro de como naquele dia entendi o que Clarice Lispector descrevia em seu conto Amor, mas ali eu não era Ana e não estava no bonde, embora me sentisse como ela e estivesse num lugar parecido.
Alguns dias depois contei a história para uma amiga, mas ela não entendia o ponto que queria chegar, não entendia como ver um cego mascar chiclete podia causar tudo isso e me perguntou se eu tinha algum problema com pessoas com essa deficiência. Dei risada da brincadeira e segui meu caminho de volta para o trem que me levaria para casa. Ora, eu não tenho problema nenhum com eles, apenas agradeço que um deles me fez entender a autora que mais admiro.
Só fui ser compreendida em um almoço com uma professora que admiro muito, ela viu que eu lia Clarice e começamos a conversar quando toquei no tal conto que estava permeando minha semana. Expliquei o que havia se passado e como havia entendido aquele sentimento de estranheza e de despertencimento ao mundo no qual vivo. Ela deu risada e eu estava esperando pela mesma reação de minha amiga, a professora balançou a cabeça levemente e sorriu me olhando nos olhos enquanto dizia que também entendia esse sentimento que Clarice descrevia.
Fui para aula sorrindo, um por ter alguém que me entendia, dois por me sentir mais próxima de minha autora favorita e três por aquele homem ter me feito ver o mundo com outros olhos.
Espero que tenham gostado e juro juradinho que não vou demorar mais tanto para postar algo aqui.
XoXo,
Bela Bumerad
Bela Bumerad










