19.8.16

❥ CIDADES DE PAPEL


Sempre gostei da ideia de poder agradar a todos, embora não seja possível, e é exatamente esse o dilema enfrentado por Margo Roth Spiegelman. A história escrita por John Green (Titio Verde) é narrada por Q, Quentin Jabsen, e fala sobre Margo e a aventura vivida juntos, além do mistério do sumiço dela. A adaptação cinematográfica de Margo e Q ficou por conta de Cara Delevingne e Nat Wolff.

Q e Margo durante o plano de vingança dela

Só li três livros deste autor até agora, mas gostei bastante de todos, embora A Culpa é das Estrelas seja mais clichê. "Quem é você Alasca" e "Cidades de Papel" me encantaram principalmente pelas personagens femininas e pela trama psicológica interna de todos os personagens no geral.

John Green nasceu em Indianápolis, Indiana, em 24 de agosto de 1977. O autor já morou em Nova York e Orlando, sendo essa última pouco tempo após seu nascimento até o período de começar o colegial que fora feito no colégio que inspirou o livro "Quem é Você Alasca?". Ele tem um canal com seu irmão Hank chamado Brotherhood 2.0 e seus fãs são chamados de Nerdfighters (quando se deram esse nome o fã clube era composto quase todo por nerds), durante a faculdade trabalhou em um hospital como voluntário e foi lá que encontrou a inspiração para 'A Culpa é das Estrelas". Hoje é casado e tem dois filhos.

Vou fazer um resuminho da história aí depois vou destrinchando para dar minha opinião sobre tudo:

O livro se inicia com Q falando que toda pessoa tem seu milagre e o dele foi que de todas as casas, de todas as ruas do Jeffersor Park, Margo foi morar na casa vizinha à dele. Logo passa para a cena em que no playground eles encontram um cara morto e ela parte para investigar e a noite bate na janela dele com suas conclusões sobre o caso o chamando para investigar com ela. Q recusa e aí acaba a "amizade deles" com ela se afastando dele pelos anos seguintes.

Aí a história dá um salto no tempo e mostra Q na escola com os amigos e sua rotina, depois observando sua paixão platônica Margo. Passa o dia e chega a noite, ela vai até o quarto dele e acaba o convencendo a sair em uma aventura, ao final ele volta para casa pouco antes do amanhecer. Ao ir a escola mais tarde descobre que Margo não foi a escola e, na verdade, havia fugido como fazia as vezes.

Passadas algumas semanas e muitas pistas juntadas, Q, Ben, Radar e Lacey resolver ir atrás da garota que possivelmente estaria em Agloe, Nova Iorque. Encontram ela e Q resolve tirar toda a história a limpa e própria garota acaba admitindo o porquê fez o que fez. A história acaba com todos (exceto Margo) voltando para Jefferson Park em Orlando, Califórnia.

Fim do mega resumo do livro. Agora vou falar das partes que mais gosto do livro, das personagens e da metáfora que já usei em outro texto meu

Você vai para as cidades de papel e nunca mais voltará


Margo: é a garota de papel, todos a amam e querem ser amigos dela (uma espécie de Regina George, mas Margo é gente boa e protege muitas vezes os ditos oprimidos). É a garota que é o que todos querem que ela seja, anda com os populares, porém a questão é: Ela não está feliz com isso, além de não saber quem ela é, estar perdida em relação a sua identidade. Por este motivo ela acaba fugindo tantas vezes para viver aventuras, ela sai em busca de quem ela é. Usa maiúsculas e minusculas sem uma ordem definida, pois acha injusta as palavras e letras que vem depois não terem.

Quentin: é o típico garoto certinho e bom aluno, desde a infância apaixonado por Margo. Q topa ajudar a vizinha em seu plano de vingança de 11 partes e acaba por se divertir bastante, embora depois acaba tendo que mentir sobre tê-la visto quando descobre sobre seu desaparecimento. Depois deste dia até o dia em que resolve sair atrás de Margo dirigindo até Agloe junta pistas que a garota deixou espalhadas.

Radar: Um dos melhores amigos de Q, tem uma namorada, que no filme vai junto na aventura, muito inteligente e dono do Omnictionary (site que ele criou para fazer pesquisas com palavras chaves, uma espécie de Wikipédia). Ah! E os pais deles tem uma coleção enorme de papais noel negro.

Ben: O outro melhor amigo de Q, acaba namorando a Lacey, é um pouco infantil, mas é um grande amigo e de bom coração.

Lacey: Melhor de Margo, vira namorada de Ben. No começo parece uma garota superficial, contudo conforme vai discorrendo a narrativa se descobre que ela é uma garota bem divertida e que se preocupa muito com a amiga.

"O para sempre é composto de agoras" - Margo Roth Spiegelman

Da esquerda para a direita Ben, Angela (namorada do Radar), Lacey, Radar e Q. 


Todos que conheço que leram o livro falam que o livro é meio chatinho e que a melhor é a que eles partem em busca da amiga desaparecida. Eu discordo totalmente! O livro é meio parado mesmo, todavia é nessa parte que Quentin começa a entender que ele não conhece totalmente as pessoas, que para cada um uma mesma pessoa é vista de maneiras completamente diferentes. Por exemplo, a Margo para ele era o milagre dele, para Lacey era a melhor amiga maneira dela que sumia de vez em quando.

Outro ponto que acho legal do livro é o plano de vingança de Margo composto de 11 partes, a maior parte deles é pegar um peixe morto, pixar um M e deixar a mensagem: "Sua amizade com M.S. dorme com os peixes". Além disso, eles denunciam que o ex dela estava dormindo com outra que era melhor amiga dela, e não satisfeita ela faz Q tirar uma foto dele (o ex) nu o que acaba sendo bem útil depois para ajudar uns oprimidos...

A análise da poesia que nosso protagonista faz também é bem interessante é como nós que a cada leitura achamos mais detalhes e vemos com outros olhos, o trecho é de um livro do Whitman e é por causa dele que o rapaz vai descobrindo mais pistas sobre o desaparecimento da paixão platônica dele. Arranquem suas portas das dobradiças! É o que o poema fala e podemos dizer que nossa farota de papel levou bem á sério a interpretação...

Q aprende a como entender mais as pessoas (embora não use muito com os amigos nessa obsessão de encontrar a garota) e uso isso principalmente no centro abandonado onde descobre que ela esteve e acha também um mapa que mostra mais ou menos por onde deveria estar Margo. A pista que faltava surge quase na hora da colação de grau deles do terceiro colegial e nosso querido Quentin resolve ir atrás dela (que surpresa!) e seus amigos resolvem ir juntos.

Eles saem cruzando o país até o local que a garota estava e essa parte é a mais engraçada do livro, Ben precisava fazer xixi toda hora e acaba usando garrafas de cerveja para isso. Os quatro começam a jogar adivinhação, mas eram somente coisas que não podiam ver e quanto as paradas só podiam fazer quatro e de seis minutos cada, e numa delas ainda tiveram que comprar roupas, pois estavam com a beca da formatura. A camiseta do Radar é a mais cômica já que ele é negro e contém uma frase ou simbolo racista (não lembro bem qual dos dois).

Durante a viagem eles também começam a adivinhar a vida das pessoas nos carros vizinhos, de coisas tristes até engraçadas e felizes, mas como dito por eles o lance da brincadeira revela mais sobre quem está falando do que sobre a pessoa no outro carro realmente. Então a viagem vai seguindo com algumas conversas sobre como vai ser quando chegarem e mais uma parada quando algumas horas depois e de repente aparecem duas vacas no meio da estrada e Q fica sem reação, e Ben o copiloto tem uma reação automática que diz ele que fora apenas para salvar a própria vida, embora mesmo assim continue a ser ovacionado pelos amigos.

E por fim, eles chegam a Agloe. O grupo encontra de cara um celeiro/armazém abandonado e logo veem Margo sentada lendo ao chama-la a garota pede cinco minutos e decorrido os cinco minutos ela vai falar com eles e dá um breve abraço em Q e Lacey. Para depois perguntar "Que diabos vocês estão fazendo aqui?", quase como se não quisesse que estivessem lá e bingo! É isso mesmo. Lacey e Margo acabam brigando, mas depois se entendem e nosso querido protagonista e narrador claro ainda quer conversar com a sumida.

Eles começam a conversar e Q comenta como acabou achando-a, eles também brigam, mas logo em seguida se entendem. Ela então resolve explicar o motivo de sua partida e que já tinha tudo planejado só adiantou a data, por fim, M revela que se sentia uma garota de papel, sem identidade e que iria começar a viajar para enfim descobrir quem ela era, mas no fim promete ligar para irmã dela para dar notícias. Depois disso eles se despedem, ele a ajuda com as coisas, se beijam e cada um segue seu caminho.

A questão principal é que não é o beijo, não é a paixão platônica e nem ele ser certinho o que importa. E sim, sobre a metáfora de ser uma ideia que agrada a todos e como isso não é possível. Você acaba perdendo sua identidade ou nem a adquirindo sendo sempre o que os outros querem que você seja. De verdade, eu recomendo e muito esse livro, desculpem pelos spoilers, mas tem muita coisa ainda que nem comentei e que talvez vocês achem muito interessante.

 "Uma cidade de papel para uma menina de papel. (..) Eu olhava para baixo e pensava que eu era feita de papel. Eu é que era uma pessoa frágil e dobrável, e não os outros. E o lance: é o seguinte: as pessoas adoram a ideia de uma menina de papel. Sempre adoraram. E o pior é que eu também adorava. Eu tinha cultivado aquilo, entende? Porque é o máximo ser uma ideia que agrada a todos. Mas eu nunca poderia ser aquela ideia para mim, não totalmente." - M.R.S

E assim me despeço.

XoXo,

Bela Bumerad.